Sustentabilidade na moda, todo dia

Quem quer ser sustentável pode pensar em novas formas de agir, sempre. Dá pra ir muito além do que está se tornando trivial pra muita gente como separar o lixo orgânico do reciclável, usar transporte público ao invés do carro, fechar a torneira enquanto escova os dentes ou toma banho… Isso é básico! E basta ficar atento ao seu dia a dia para identificar boas oportunidades para mudar hábitos. Foi o que fez a americana Marisa Lynch quando pensou no projeto New Dress a Day. Ela colocou, literalmente, a sustentabilidade na moda e no seu dia-a-dia.
À beira dos 30 anos, quando foi demitida do emprego que detestava e ainda sem saber o que fazer, Marisa assistiu ao filme “Julie & Julia”, estrelado por Meryl Streep. Inspirada na personagem Julie – que buscava inspiração no livro de receitas de Julia para aprender a cozinhar -, resolveu criar um blog com duração de um ano, se impondo um desafio: passar 365 dias longe das lojas de roupas, criando um vestido por dia com itens comprados por um dólar em brechós e vendas de garagem.
Com a ajuda da máquina de costura herdada da mãe, Marisa transformou peças antigas em modelitos estilosos. A experiência foi tão boa e recompensadora que ela resolveu continuar criando moda, só que sem o compromisso diário. Assim, o blog New Dress Day continua sendo atualizado e inspirando outras mulheres.
Quer saber de mais uma inspiração ligada à moda e muito sustentável, que também está dando super certo? O Bazar de Trocas da revista Estilo, da Editora Abril. Trata-se de uma comunidade criada pela revista no Facebook que, em apenas três semanas, conquistou mais de 21 mil fãs, e se tornou um dos maiores grupos dessa rede social no Brasil.
A iniciativa surgiu numa reunião de pauta entre jornalistas e produtoras da revista e teve, como primeira fase, um encontro entre blogueiras de moda super badaladas. Em um simpático almoço, elas trocaram peças que não queriam mais e também ótimas ideias a respeito do tema (leia as reportagens Troca Troca Fashion e Bazar de Trocas). Daí, veio a comunidade virtual para incentivar as leitoras da revista e amigas a evitar o desperdício e aumentar a vida útil de suas peças.
No Bazar de Trocas, as participantes oferecem as peças que não querem mais. Tem de tudo: bolsas, sapatos, cintos, lenços, bijuterias, calças, blusas, vestidos. Por lá “circula” gente que já está super acostumada com essa prática e também quem é novata nessa negociação na qual dinheiro não entra. E, pelo que deu pra sentir até agora, tem sido uma ótima oportunidade para boa parte das adeptas renovar o visual sem gastar e ainda conhecer novas amigas.
E você? Também tem alguma ideia inovadora (e sustentável) para colocar em prática?
Stuttgart é exemplo mundial no combate às ilhas de calor
A cidade alemã de Stuttgart se tornou referência mundial em projetos de combate às ilhas de calor. O investimento feito pela prefeitura desde a década de 80 resultou na maior cobertura vegetal da Alemanha e em uma melhor qualidade do ar para os seus habitantes.
Para que a cidade tivesse 60% de sua área com cobertura vegetal foi preciso um planejamento de cada detalhe. O município conta com telhados verdes, ruas arborizadas, parques e até mesmo os trilhos do trem foram adequados ao perfil de Stuttgart.
Segundo Ulrich Reuter, responsável pelo Departamento de Climatologia Urbana da Prefeitura de Stuttgart, em declaração ao jornal O Estado de S. Paulo, “a lei ambiental protege 39% da área de Stuttgart, onde são proibidas novas construções. Temos cinco mil hectares de florestas, 65 mil árvores em parques e 35 mil nas ruas, 300 mil metros quadrados de telhados verdes e 32 quilômetros de trilhos de bonde onde, a partir de 2007, foi plantada grama”.
Reuter explicou que, a partir da década de 70, a cidade intensificou seus estudos, o que resultou na criação de um atlas climático. A medida era necessária para poder melhorar a circulação de ar na cidade, que possui cerca de 600 mil habitantes. Mesmo assim, com toda a estrutura e desenvolvimento alcançado ainda existem áreas sujeitas à formação de ilhas de calor.
As modificações e adequações ecológicas caminharam juntamente com o desenvolvimento urbano de Stuttgart e a própria sociedade teve papel importante nesse processo.
A cidade de Kobe, no Japão, se inspirou no atlas climático alemão para repensar os corredores por onde passam as correntes de ar e a distribuição das áreas verdes em seu território. A realidade das grandes cidades brasileiras ainda não permite um trabalho desse tipo. Conforme explicado pela professora Maria Fernanda Lemos, da Pontifícia Universidade Católica (PUC- Rio), “precisa-se primeiro pensar no micro”, ou seja, existem medidas diretas e menores que devem ser aplicadas antes de pensarmos em grandes estratégias como o exemplo alemão
Conheça a PrePeat, impressora que usa papel regravável
A empresa coreana Sanwa Newtec criou uma solução incrível para empresas que gastam toneladas de papel por ano: a eco-impressora PrePeat pode apagar o que imprimiu, não usa tinta nem toner e opera com um papel especial feito de garrafas PET recicladas – que é regravável.
A impressora funciona com um sistema de calor controlado que, em contato com folhas de papel regravável, escurece ou clareia sua superfície (sim, ela só imprime em preto-e-branco).
O cabeçote da impressora é como se fosse uma agulha térmica, que vai passando e marcando o papel. Documentos que não são mais necessários podem ser apagados e a folha, reutilizada. Uma única página pode ser impressa cerca de 1.000 vezes.
E o preço?
A Sanwa Tec vende cada impressora por 500.000 yenes, aproximadamente 10.230 reais, e o bloco com 1.000 folhas de papel regravável por um pouco mais de 6 mil reais. Ela ainda não é vendida no Brasil.
Não é preciso ter uma impressora dessas para ser mais sustentável. Soluções simples, como imprimir frente e verso, reutilizar páginas que não servem mais como rascunho e pensar e ponderar se aquele documento precisa ser impresso já contribuem para reduzir o volume de lixo no planeta.
Roupas sem tecido: modelitos são feitos à base de cafeína
A britânica Suzanne Lee descobriu uma nova utilidade para as bebidas cafeinadas: produzir roupas mais ecológicas. Após anos de estudos, a pesquisadora – que ainda é estudante de moda em uma faculdade de Londres – descobriu uma espécie de bactéria que, se colocada em contato com bebidas cafeinadas, reage e cria uma espécie de fibra que se assemelha ao papel vegetal e pode substituir os tecidos na hora da confecção de roupas.
A produção utiliza muito menos água e, ainda, dispensa o uso de agrotóxicos necessários para o cultivo de algodão. Tudo o que a designer precisa para fabricar as roupas é uma banheira, cheia de chá verde, em que acrescenta o fermento com as bactérias. A fibra vegetal demora cerca de 3 semanas para se desenvolver e deve ser moldada, em um manequim, enquanto ainda estiver molhada. Para dar cor aos modelitos, Lee ainda usa corantes naturais, como beterraba e açafrão.
A descoberta rendeu à designer uma marca de roupas só dela: a BioCouture. Por enquanto, as peças não estão sendo comercializadas, porque Lee ainda quer encontrar um jeito de tornar as roupas mais duráveis – o que, segundo ela, não está longe de acontecer. Será que essa moda pega? se der sono é só chupar a manga da camisa que fica tudo nice!
Cabides feitos a partir de cadeiras velhas
Para quem está pensando em redecorar a casa, já não precisa se desfazer das antigas cadeiras, pode simplesmente transformá-las em cabides super descolados para pendurar suas roupas preferidas. É uma ideia bem bacana do designer Antonello Fusè para deixar até o que guarda suas roupas, super na moda.
Saco de comida pode purificar água em países pobres

Indignados com a existência de várias comunidades famintas e sem acesso a água tratada em diversos países pobres do mundo, três designers industriais coreanos – Jung Uk Park, Myeong Hoon Lee e Dae Youl Lee – criaram um saco especial que, inicialmente, é capaz de transportar a comida enviada pela ONU e por ONGs internacionais a essas pessoas. A ideia é que os órgãos de ajuda humanitária substituam os sacos convencionais pelo Life Sack para enviar grãos e demais alimentos a esses povos. Depois que a comida fosse armazenada, o saco funcionaria como um purificador de água.
O recipiente usa o Processo de Desinfecção Solar de Água para matar os organismos do líquido contaminado, a partir da radiação UV-A, que penetra com facilidade o PVC de que o saco é feito. Um filtro interno é capaz de remover todos os microorganismos que tenham, pelo menos, 5 nanômetros (um nanômetro é igual a um milímetro dividido por um milhão). Para se ter uma ideia da eficiência do filtro, a bactéria causadora da tuberculose tem um tamanho de 200 nanômetros.
Pensando nas pessoas que caminham quilômetros para conseguir encontrar água, o Life Sack tem alças e pode ser levado mais confortavelmente nas costas. Em seguida, é só pendurá-lo exposto ao sol.
Bem que a ideia poderia ser aproveitada não apenas no sertão nordestino brasileiro, mas também em tantas de nossas cidades que não contam com saneamento básico.
O celular ‘mais verde’ cumpre o que promete
Uma linha de celulares chamada Greenheart (coração verde, em inglês), com algumas características vendidas como sustentáveis. Nosso faro aguçado logo indicou: isso cheira à enganação. O blog, mais uma vez, foi tirar a limpo a história.
A empresa afirma que os aparelhos emitem 15% menos CO2 durante a fabricação e têm uma série de características verdes: “a fabricação não usa agentes químicos cancerígenos e poluidores, os celulares são pintados com tinta à base d’água e feitos com plástico reciclável, têm display de energia e carregadores eficientes, possuem um manual interno digital para não gastar papel e suas caixas são menores que o comum”.
Só essas características fazem o produto ser ecológico?
“Ainda temos uma grande estrada a percorrer para desenvolvermos um produto “verde” ou sustentável, como já havia dito ao blog. Mas não está errado em assumir que eles são melhores para o ambiente do que os celulares comuns”, afirma Casey Harrell, coordenador da campanha internacional de eletrônicos do Greenpeace.
Ah, mas isso está de acordo com o que diz a propaganda? Sim. O material de divulgação da empresa fala em celular “mais amigável” e “em melhorar o impacto ao meio ambiente”, o que é feito, de acordo com os especialistas que entrevistamos. Nunca é dito que os equipamentos são ecológicos, mas que a sustentabilidade na fabricação ainda é um “desafio para o futuro”.
Cravar que é “ecológico” ainda é polêmico pela falta de padronização na área. “A redução de 15% nas emissões é expressiva. Mas, se emitisse 40% a menos, seria mais ecológico ou igual? A gente não sabe nem quantificar isso”, diz Geraldo Borin, coordenador do curso de gestão ambiental da PUC-SP, que defende um indicador para definir a partir de que ponto um produto é ecologicamente correto.
Tentar melhorar os procedimentos ainda não é ser sustentável. Fabricar eletrônicos, em geral, polui muito. É preciso extrair minérios, gastar muita energia e água nas máquinas industriais e usar de substâncias químicas danosas ao meio ambiente. A fabricação e a logística envolvidas na produção de um celular emitem aproximadamente 60 kg de CO2, de acordo com a consultoria ambiental ESU services. É o mesmo que gastar 34 litros de gasolina comum no Brasil, segundo a ONG Iniciativa Verde. “E ele tem apenas 18 meses de vida útil, em média, até as pessoas comprarem um novo”, diz Casey Harrel.
Apesar das ponderações, os especialistas são unânimes em elogiar a iniciativa. “O fato de serem livres de plástico PVC, antimônio, berílio e retardantes de chama bromados [substâncias que liberam causadores de câncer quando queimadas] é um bom começo na eliminação de químicos perigosos”, afirma Harrell. O consultor do Greenpeace também classificou como “bons passos” outras medidas, como reciclar plástico de equipamentos usados.
Como o papel do Verdade Inconveniente é questionar, não compramos essa história facilmente. Isso não seria apenas uma ação de vitrine, pontual, enquanto a empresa continua poluindo em todas as outras linhas de produtos?
O guia do Greenpeace para eletrônicos mais verdes indica a Sony Ericsson como a segunda empresa melhor colocada no ranking. Apesar de ser a melhor companhia em relação a agentes químicos, ela ainda precisa aumentar o número de postos de recolhimento de lixo eletrônico. “No Brasil, por exemplo, sequer oferece o serviço. Esse tipo de ação é essencial para evitar que o lixo eletrônico seja despejado, queimado ou exportado para outros países”, pontua Harrell. Entretanto, a companhia anunciou que, a partir do ano que vem, tentará fazer todos os seus produtos seguindo os mesmos princípios Greenheart. Ou seja, ela parece estar comprometida a melhorar uma posição que, em relação a sustentabilidade, já é favorável.
Verdade Inconveniente tentou, mas, pela primeira vez, um produto avaliado se mostrou completamente correto na relação entre o marketing sustentável e as práticas efetivas. Um bom sinal. Esperamos que, no futuro, sejamos frustrados mais vezes
Os cinco animais que mais reciclam
Enquanto os seres humanos insistem em jogar lixo no chão, resíduos recicláveis no compartimento de não recicláveis e também o contrário, certos animais fazem, naturalmente, um belo trabalho de reciclagem. É de se questionar quem é mesmo a espécie mais evoluída por aqui.
A blogueira Jennifer Viegas, do Discovery News, elegeu os cinco animais que mais reciclam no planeta. São eles, do quinto para o primeiro:
Esponjas – a espécie Halisarca caerulea cresce em cavidades escuras e profundas de recifes de corais e, segundo os cientistas do Royal Netherlands Institute for Sea Research, consomem carbono orgânico dissolvido na água em quantidade equivalente à metade de seu próprio peso, por dia. Elas utilizam esse carbono para produzir novas células – os coanócitos – que alimentam outros habitantes do mesmo recife. Isso significa que elas transformam energia perdida em alimento.
Aranhas – espécies que constroem teias arredondadas, como a Cyclosa ginnaga, as decoram com pedacinhos de folhas, pequenos galhos e outros resíduos de plantas e adicionam penugens e fios de seda para criar uma verdadeira obra prima para atrair suas presas.
Elefantes – são eles os responsáveis por comer as árvores de Natal antigas. Segundo Jeniffer Viegas, a prática está cada vez mais comum em diversos zoológicos ao redor do mundo.
Pássaros – usam desde gazes até fios de cabelo, passando por bolas de pêlo de gatos em seus ninhos e provam que os resíduos de uns podem ser matéria-prima para outros.
Escaravelhos – Algumas espécies de besouros não só moram no cocô como também se alimentam dele. Impossível ganhar desses bichos no quesito reciclaglem!
Coca-Cola embalada em papel?
Esqueça as consagradas curvas da garrafa de Coca-Cola. Pelo menos para o estudante chinês Andrew Seunghyun Kim, a nova geração de embalagens de refrigerantes deveria ser uma caixinha estilo Longa Vida, mas 100% feita a partir da cana de açúcar – ou seja, orgânica. Kim batizou o projeto desenvolvido para o segundo semestre da faculdade de Design de Eco Coke.
Se sua ideia fosse acatada, o número de 200 milhões de garrafas plásticas descartadas a cada 5 minutos nos Estados Unidos se reduziria consideravelmente. A pegada de carbono do transporte das bebidas também seria menor. Por se acomodarem melhor uma do lado da outra, é possível levar 27% mais caixinhas do que garrafas em um mesmo container.
Atualmente, 3 milhões de garrafas de Coca são vendidas por dia e enviadas em navios para o mundo todo. Com o novo design, é como se 857.142 garrafas a mais pudessem ser enviadas por dia – ou 321.856.830 por ano – sem nenhuma emissão extra de carbono.
Não dá para dizer que o projeto é exatamente sustentável, mas que o impacto dos fabricantes e consumidores de refrigerantes seria menor, isso não dá para negar.







